No Norte do Vale do Sousa, a beleza natural das paisagens e a centralidade da região justificaram, na época romana, a construção de várias vias de comunicação.
Estas permitiam a ligação entre importantes localidades da Península Ibérica dessa época, nomeadamente a que ligava Bracara Augusta (Braga) a Aqua Flaviae (Chaves), passando por Ciada/Caladuno. Mais tarde, no período medieval, estas vias foram objecto de reutilização, o que comprova a sua utilidade e importância.
O actual edifício não corresponde à data de fundação da Igreja, a qual está documentada desde 1091. Nas Inquirições de 1221 a Igreja surge como ecclesia de Araes, no julgado de Felgueiras.
Há registos, efectuados por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck, em 1726, da existência de uma inscrição, entretanto desaparecida, junto ao púlpito referente ao ano de 1184.
O padroado da Igreja conheceu sucessivas transferências, pertencendo à Coroa em 1394, vinculado à Ordem de Aviz. Em 1517 constituiu-se como comenda da Ordem de Cristo.
No entanto, o aspecto tardio de alguns dos elementos da sua construção aponta para um edifício do final do século XIII ou mesmo do início do século XIV.
As sucessivas alterações que a Igreja foi sofrendo alteraram-lhe o carácter inicial. As remodelações sofridas entre os séculos XIII e XIV introduziram-lhe elementos arquitectónicos e gramática decorativa inspirados no gótico.
É nesta campanha que o interior da Igreja é alargado, passando para três naves, até que o movimento barroco acrescentou à capela-mor o revestimento com painéis azulejares, o altar central e o sacrário de talha dourada.
A percepção plena da história do edifício e dos aspectos artísticos passa pela compreensão de factos relevantes, como o facto de ter sido uma importante comenda das Ordens Militares de Malta na Época Moderna, transformando-se em igreja paroquial apenas em 1834, após a extinção das ordens religiosas em Portugal.
Estes dados são importantes para a percepção dos múltiplos investimentos efectuados no sentido de enriquecer o templo, além de ser um edifício de significativa dimensão quando só recebeu o estatuto de cabeça de paróquia em pleno século XIX.
As capelas de Santo Amaro, Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora da Nazaré, na qualidade de filiais, estavam dependentes de Airães no ano de 1726. Além disso, sabe-se que, junto da Igreja, existiam vários edifícios senhoriais, habitados por reitores e comendadores.