Rota do Românico do Vale do Sousa

 

Informação Geral
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Igreja de Santa Maria de Airães 
  • Nome: Igreja de Santa Maria de Airães
  • Tipologia: Igreja/Mosteiro
  • Classificação: Monumento Nacional (MN) pelo Dec. 129/77 de 29 de Setembro
  • Concelho: Felgueiras
  • Estilo: Românico
  • Estado de Conservação: Bom 
  • Festa do Padroeiro: Santa Maria de Airães – 15 de Agosto 
  • Horário do Culto:  Sábado às 18h45 no Inverno e às 19h45 no Verão; Domingo às 11h; 3ª feira às 8h30; 5ª feira às 18h30. 
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Preço da Entrada: Gratuito 
  • Acesso p/ Deficientes: Em fase de planeamento 
  • Serviços de apoio:

     

  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rrvs@valsousa.pt 
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Lugar do Mosteiro, freguesia de Santa Maria de Airães, concelho de Felgueiras, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Caminha/Porto), da A3 (Valença/Porto) ou da A7 (Vila Pouca de Aguiar/Póvoa de Varzim) siga na direcção de Felgueiras pela A11 (Esposende/Marco de Canaveses). Saia no nó de Felgueiras (N207) e rume depois na direcção da Longra/Airães/Caíde de Rei até encontrar a indicação da Rota do Românico.

     

    Se vem do Centro ou Sul do País pela A1 (Lisboa/Porto) ou pela A29 (Estarreja/V.N. Gaia) entre no Porto cruzando o rio Douro através da ponte do Freixo e escolha depois a A3 (Valença).

     

    A partir do Porto poderá optar pela A4/IP4 (Vila Real) ou pela A41/A42 (Paços de Ferreira) que o conduzirão até à A11, seguindo à chegada a esta via a indicação Felgueiras. Saia no nó de Felgueiras (N207) e rume depois na direcção da Longra/Airães/Caíde de Rei até encontrar a indicação da Rota do Românico.

     

    Se já se encontra na cidade de Felgueiras siga na direcção de Lixa/Amarante pela estrada N101 (Valença/Amarante) até encontrar a indicação Igreja de Airães.

  • Coordenadas Geográficas: Latitude: 41° 18' 54.421" N   /   Longitude: 8° 11' 52.88" O 
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História
História
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Igreja de Santa Maria de AirãesNo Norte do Vale do Sousa, a beleza natural das paisagens e a centralidade da região justificaram, na época romana, a construção de várias vias de comunicação.
 
Estas permitiam a ligação entre importantes localidades da Península Ibérica dessa época, nomeadamente a que ligava Bracara Augusta (Braga) a Aqua Flaviae (Chaves), passando por Ciada/Caladuno. Mais tarde, no período medieval, estas vias foram objecto de reutilização, o que comprova a sua utilidade e importância.

O actual edifício não corresponde à data de fundação da Igreja, a qual está documentada desde 1091. Nas Inquirições de 1221 a Igreja surge como ecclesia de Araes, no julgado de Felgueiras.

Há registos, efectuados por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck, em 1726, da existência de uma inscrição, entretanto desaparecida, junto ao púlpito referente ao ano de 1184.

O padroado da Igreja conheceu sucessivas transferências, pertencendo à Coroa em 1394, vinculado à Ordem de Aviz. Em 1517 constituiu-se como comenda da Ordem de Cristo.

No entanto, o aspecto tardio de alguns dos elementos da sua construção aponta para um edifício do final do século XIII ou mesmo do início do século XIV.

As sucessivas alterações que a Igreja foi sofrendo alteraram-lhe o carácter inicial. As remodelações sofridas entre os séculos XIII e XIV introduziram-lhe elementos arquitectónicos e gramática decorativa inspirados no gótico.

É nesta campanha que o interior da Igreja é alargado, passando para três naves, até que o movimento barroco acrescentou à capela-mor o revestimento com painéis azulejares, o altar central e o sacrário de talha dourada.

A percepção plena da história do edifício e dos aspectos artísticos passa pela compreensão de factos relevantes, como o facto de ter sido uma importante comenda das Ordens Militares de Malta na Época Moderna, transformando-se em igreja paroquial apenas em 1834, após a extinção das ordens religiosas em Portugal.

Estes dados são importantes para a percepção dos múltiplos investimentos efectuados no sentido de enriquecer o templo, além de ser um edifício de significativa dimensão quando só recebeu o estatuto de cabeça de paróquia em pleno século XIX.

As capelas de Santo Amaro, Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora da Nazaré, na qualidade de filiais, estavam dependentes de Airães no ano de 1726. Além disso, sabe-se que, junto da Igreja, existiam vários edifícios senhoriais, habitados por reitores e comendadores.

Lendas e Curiosidades
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Uma inscrição referente ao ano 1184 da Era Cristã foi encontrada junto ao púlpito por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck. Esta descoberta, registada em 1726, entretanto desaparecida, já estaria incompleta nessa data, nomeadamente faltando o mês e uma parte do texto que poderia esclarecer qual a natureza do acontecimento a que a inscrição fazia referência.

Airães foi uma importante comenda das Ordens Militares de Malta e de Cristo. A Ordem Soberana e Militar de Malta, Ordem dos Hospitalários ou Ordem de São João de Jerusalém, é uma organização internacional católica, que começou por ser uma Ordem Beneditina, fundada no século XI na Terra Santa, por ocasião das cruzadas. Principiou por assistir e proteger os peregrinos àquelas paragens. Depois das derrotas e da perda de influência dos cruzados na Palestina, a Ordem de Malta passa a operar a partir da ilha de Rodes e, posteriormente, de Malta, enquanto Estado vassalo do Reino da Sicília. Actualmente, é uma organização humanitária internacional.

A Ordem de Cristo é fundada no século XIV, após a extinção da Ordem dos Templários de quem herdou as propriedades e os privilégios. Esta última ajudara Portugal nas batalhas contra os mouros durante os séculos XII e XIII. No entanto, perante uma perseguição encetada no século XIV pelo Papa Clemente V contra os Templários, levou a que D. Dinis recusasse a transferência dos bens e privilégios dos Templários para a Ordem dos Hospitalários mas para a Ordem de Cristo que, basicamente, permitiu que tudo ficasse na mesma.

Cronologia
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Séc. XI – Fundação da Igreja;

Sécs. XIII/XIV – Edificação românica;

Sécs. XVII e XVIII – Ampliação das naves laterais e remodelações e transformação dos interiores;

1980 – Diversos trabalhos de conservação e restauro realizados pela paróquia com orientação técnica da DGEMN;

1989 – Obras de conservação e restauro, coberturas, drenagens exteriores e instalação eléctrica;

1992 – Obras de beneficiação geral das coberturas, restauro do tecto e altares;

2004 – Obras de conservação geral do imóvel ao abrigo do projecto da Rota do Românico do Vale do Sousa;

2005 – Conservação geral dos paramentos da torre sineira e sacristia.

Especialidades
Arquitectura
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Este monumento é um belo exemplar da arquitectura religiosa românica, gótica, seiscentista e rococó. Santa Maria de Airães é uma Igreja de estrutura românica, orientada, de planta longitudinal, de três naves, cabeceira quadrangular simples e torre sineira adossada à fachada lateral da capela-mor.

Planta da Igreja de Santa Maria de Airães

Da construção românica inicial, de uma única nave, apenas permanece a cabeceira, de planta rectangular coberta por abóbada de berço quebrado, e a parte central da fachada principal, voltada a Ocidente.

Plantas da Igreja de Santa Maria de Airães

Esta fachada apresenta um portal com um arranjo similar a outras igrejas da região, inserido em estrutura pétrea pentagonal e saliente à fachada, para que possa ser mais profundo.

Destaque para a existência de volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água. A fachada principal escalonada com nave central termina em empena e pórtico aberto em gablete, com quatro arquivoltas assentes em capitéis lavrados em motivos fitomórficos, despidas de elementos decorativos e a forma e a dimensão indicam soluções góticas. Já a decoração das bases e dos plintos segue a tendência da região.

Coberturas da Igreja de Santa Maria de Airães

Correspondendo a uma antiga fundação, esta Igreja demonstra a aceitação dos modelos construtivos e as soluções decorativas próprios do românico durante largo tempo, uma das mais impressionantes características da arquitectura românica do Vale do Sousa.

No embasamento da Igreja existem silhares almofadados de tipologia romana, sugerindo a existência de um edifício dessa época nas proximidade ou mesmo de uma primitiva igreja paleocristã ou suevo-visigótica.

Alçados da Igreja de Santa Maria de Airães

No interior, em resultado de reconstruções sucessivas, as naves estão separadas por arcos de volta inteira sobre possantes pilares circulares.

Em cada uma das naves existe uma porta e duas janelas e, no topo, retábulos de talha dourada. A cobertura é de madeira, de perfil curvo.

Existe um arco triunfal quebrado de duas arquivoltas assentes em coluna de capitel esculpido e imposta, e a capela-mor tem na parede testeira uma fresta e um pequeno sacrário. O tecto é em abóbada de berço quebrada.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da RRVS, no qual foram definidas as linhas directrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projectos técnicos de execução e respectivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, definiram-se as condicionantes que se consideraram de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

O objectivo do estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Protecção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Envolvente da Igreja de Santa Maria de Airães

Procedeu-se, também, à definição das áreas de actuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios, ao mesmo tempo que corrige e/ou cria estruturas e infra-estruturas de apoio.

A implantação da escola na envolvente próxima do monumento deverá ser objecto de uma intervenção que atenue o seu impacto negativo, a qual deverá abranger, de igual forma, todo o espaço público anexo à Igreja, à escola e à Junta de Freguesia. O salão paroquial e o logradouro deverão ser requalificados, nomeadamente os sanitários existentes.

As obras irão principiar a partir de 2009, no âmbito de uma candidatura a apresentar ao QREN.

Recuperação e Valorização
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O conjunto azulejar do século XVII, de padronagem policromada, foi objecto de uma intervenção de conservação e restauro. O revestimento é composto por 2328 peças, das quais 736 são réplicas.

Recuperação da Igreja de Santa Maria de Airães

A utilização de materiais inadequados – mormente o cimento – em intervenções anteriores, o destacamento dos vidrados devido à pressão exercida nos espaçamentos das juntas e a falta de aderência das peças são factores que determinam a instabilidade dos azulejos.

Recuperação da Igreja de Santa Maria de Airães

Nesta situação, retiraram-se azulejos em perigo de destacamento para posterior recolocação, removeram-se os materiais nocivos e procedeu-se à limpeza, consolidação, preenchimento e integração cromática.

Galeria
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Bibliografia
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AA. VV. – “Santa Maria de Airães”. Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa. 2ª Fase. Vol. 2. S./n., Porto, 2005.

ALMEIDA, J. A. F. de – Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1998.

ALMEIDA, C. A. F. de – História da Arte em Portugal. O românico. Vol. 3, Publicações Alfa, Lisboa, 1986.

BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422). Corpus Epifráfico Medieval Português. Vol. II, Tomo I, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2000.
 
BOTELHO, Maria Leonor – Santa Maria de Airães: vivências e transformações de uma igreja românica. Felgueiras: Município de Felgueiras, 2010.
   
CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra – Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho no ano de 1726. Vol. II. Ponte de Lima: Edições Carvalhos de Basto, Lda, 1992.

IPPAR, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Lisboa, 1993.

RODRIGUES, José Carlos Meneses – Retábulos no Baixo Tâmega e no Vale do Sousa (séculos XVII-XIX). Vols. I e III Porto, 2004. Dissertação de tese de doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

ROSAS, Lúcia (Coord.) – Românico do Vale do Sousa. Lousada: Comunidade Urbana do Vale do Sousa, 2008.

SIMÕES, J. M. dos Santos – Azulejaria em Portugal no Século XVII. Tomo I. 2.ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.

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